Posts Tagged ‘Vontade’

Mover

quarta-feira, dezembro 30th, 2009

Mova-se. Não há nada pior do que parar, deixar de fazer o que se quer, se esquecer, não crer, crer desacreditando, não ter o que se quer, nem querer o que se tem, veja bem, porque tudo na vida é um não-terminável período entre períodos, parênteses que se abrem bem no meio de outros parênteses, onde deveria haver pontos finais, mas não há, e só há vírgulas, ou nem isso, ou, talvez, uma outra forma de pontuar a desigualdade dos dias e a não-linearidade da nossa existência, o consumo desenfreado de ar pelos nossos pulmões que (inflando-se e desinflando-se) nos mantêm vivos, mas às custas da nossa própria morte, do esforço, porque se morre por esforço, falta de força, de vontade, de importância, pelo dissenso da continuidade, medo, perdas, morremos quando temos o que desejamos e desejamos o que temos, mas, não sabendo ter, sonhamos um dia termos ter de não querer ter o que não sabemos manter dentro do nosso próprio eu, assim como com o nosso próprio fim, e quem sabe isso também seja como uma esperança de continuidade diante da imobilidade de nós, das nossas fraquezas, e o problema que reside em pararmos é que não sabemos mover-nos em direção a nós mesmos, o que nos leva a pensar que, se sem rumo, mais vale prosseguir até que o “se” se torne “ser” que deixar de ir por não saber partir. Mova-se, apenas.

O que sinto ao tocá-la

sexta-feira, setembro 25th, 2009

Sentir é tocarO que sinto ao tocá-la qualquer homem pode te dizer muito bem, ou pelo menos qualquer homem que já teve meia dúzia de mulheres na vida e soube viver delas e com elas, que soube alongar os momentos bons para além dos limites das horas, que soube dar a elas o que elas quiseram sem esperar nada em troca, porque a mágica não é recíproca, é preciso fechar os olhos e embarcar no jogo sem esperar receber nada a não ser a certeza de que você soube jogar muito bem, amigo. Os prêmios são todos delas, e não importa se você concorda ou não, é assim que é certo, é assim que as coisas devem acontecer. Se te sobrar algo, então muito bom. Se não, entre no jogo outra vez.

Mas, mesmo assim, eu sinto uma vontade louca de te dizer como é, só pra ver se consigo pôr dentro de você algo que não seja essa poeira e o recalque que todos carregam. Escuta bem, amigo, porque não vou repetir o que disser, e se você perder o fio não dou a mínima. Agora escuta, porque tudo começa nos olhos. Quando um encontra o outro o resto do mundo pode desabar que você ainda se manterá inteiro, porque tem um lugar para onde olhar. Você abre, olha, vê, enxerga, penetra, entra e fica lá pelo tempo que for preciso, porque os olhos vão te levar à mente, e é lá que você deve estar antes de tudo. Não importa o que dizem suas cabeças, os olhos sempre guiam ao caminho mais certo.

Então, se você estiver na mente, se estiver lá todo o resto se resolve sozinho. E se ela desvia o olhar não é porque não te quer, é porque não suporta o que você está fazendo com ela. A graça está aí: quando a defesa se quebra e ela olha pro lado e você continua encarando-a e sorri, e ela te olha pelo rabo de olho e sorri também. Você a convida para ir a algum lugar, não convida? Se não, se foda, porque eu convidei e deu certo. Eu chamei e deu certo. Eu me levantei, andei até ela, me apresentei, perguntei seu nome, peguei em sua mão, sussurrei qualquer coisa no seu ouvido e lembro de ter dito: Mais tarde. Mais tarde, sim, aí a gente se vê. Se vê por inteiro, se correr tudo certo.

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