Cinco Dedicatórias
Segunda Dedicação
____________
Todas as perguntas rodeiam cada um de nós: sobre o fim, sobre o começo, sobre o que há de vir quando nada mais estiver para chegar.
Antes de tudo, abra os olhos. Vai precisar ver dessa vez, e só quando enxergar encontrará suas próprias perguntas. E quem pode responder a todas as nossas questões são aqueles que as partilham conosco, que dia após dia se condenam à morte enquanto tentam o impossível, que buscam o que não conhecem e cada vez mais se perdem ao redor de si mesmos.
Mas, será que eles sabem de algo? Os homens podem encontrar a verdade, conseguem enxergar que tudo é sobre esperança e nada mais? Devemos acreditar nisso, mas, ah… não há fé alguma em aguardar que os próprios homens guiem sua existência rumo ao desfecho de tudo, se houver um. É mais uma questão de crença cega, mas facilmente abalável. A crença substitui a certeza; a certeza nunca é acreditável. Não, não pode ser. O que é certo não é crível, apenas sensível ao toque dos nossos corações.
Um coração. Quanta cura e razão há em suas mãos, e quanta destruição e dor? Ele sabe como encontrar todas as verdades, mas a que custo? Enquanto bate ininterrupto, alimenta a vida dos homens e, por isso, é também responsável pelo caos, pela desordem natural daqueles que vivem. O custo da busca pelas certezas perdidas é a continuação da existência humana. Poderíamos encarar esse fato como um pecado abominável, mas é mais um mal necessário. Enquanto tosquiamos nosso mundo, recolhemos sua lã e a queimamos para conseguirmos fumaça suficiente para respirarmos, nossos corações saltitantes tentam compreender, amar e sentir tudo, nos dando motivos a mais para prosseguirmos com a busca e acreditarmos nela. Se não fosse assim, como poderia ser?
Abrigamos o conhecedor das respostas dentro de nós, e ele nos paga com nossa própria vida a chance que o damos de cumprir sua jornada. Quem, então, viria nos dar certezas nos dias de hoje senão nós mesmos, aqueles que se condenam à morte quando, mesquinhamente, deixam que seus corações parem de bater, encerrando, assim, sua insaciável busca pelas respostas da vida?
Pois a vida só é eterna para aquele que procura algo em que não se pode acreditar, porquê a eternidade é inacreditável, e apenas isso basta para que também nós possamos ser. Com que intensidade seu coração bateu hoje?
_____________________________________
Essa segunda dedicatória foi toda reescrita. Apenas o primeiro parágrafo é parcialmente original. Enquanto eu tentava encontrar a música ideal para refazer algumas partes dela hoje à noite (fiquei entre algumas do Coldplay e outras do Pink Floyd), muitas coisas simplesmente foram surgindo na minha cabeça e eu incluí tudo no texto sem parar pra pensar no que fazia. Putz, realmente não faço idéia de se ficou bom ou não, mas gostei (e muito) do resultado! O único outro texto em que senti essa espécie de frenesí enquanto escrevia foi “A Casa e o Mar“, mas, nesse caso, foi intencional. Com essa segunda dedicatória tudo simplesmente foi indo, indo e, quando me dei conta, já estava lá a última interrogação. Eu simplesmente adoro fazer o que faço, e igualmente amo quando tenho motivos para gostar disso :)