Posts Tagged ‘universo’

Nada realmente importa

segunda-feira, janeiro 11th, 2010

Sim, ela costumava ser uma pessoa triste. Costumava pensar, como os que pensam, que futuro se faz de passado e presente, nunca (ou nem sempre) do que vem sem que se espere que venha, das novidades que arremessam-se contra a cotidianidade das coisas e a sua ordem e mudam também o que temos por nosso, ainda que isso seja, bem… aquilo que costuma fazer de nós as pessoas tristes que somos. Tanto era assim que, certo dia, o café coado por ela saiu com borra, o que pouca importância tinha para os poderes que regem o Universo, é claro, mas significava tudo, significava um universo inteiro de mudanças, para quem ela era. Surtou nesse dia e em todos os outros também, como acontece com aqueles que se desfazem quando a calmaria é interrompida pelas atribulações das pequenas coisas, e de novo, de novo, e de novo tomam contato com uma parte de si que se mantém à espreita do eu que são, aguardando a menor demonstração de fraqueza, de descontinuidade, para atacar, para (sem que nem mesmo haja esperança alguma de sucesso) tomar conta de um todo humano que não faz sentido para si mesmo, que não é sentido por si mesmo, que não está nem aí para o que dizem de si, não por ser magnânimo, nem por ser surdo, mas por ter o café saído com borra e as certezas da Existência se misturado com pó, enquanto deveriam ser líquidas e cristalinas, não turvas e empoeiradas como todo o resto que é e não é humano, que é e não é certeza, que é de novo, e de novo, e de novo o costume ao qual se acostumam as pessoas tristes que nos acostumamos ser.

O último texto que escrevi no ano passado, no dia 31/12. Só cheguei a terminá-lo esse ano. Era para ser um conto longo, mas escrevi um mini-conto em vez disso. Achei melhor.

O título foi retirado da letra de Bohemian Rhapsody, do Queen.

Walter Matthau

quarta-feira, janeiro 21st, 2009

Walter Matthau faceirão

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Sim, eu uso nomes aleatórios de atores para dar título aos meus poemas. E isso não faz sentido algum.

Deitados ao som das estrelas,
orquestrando o zumbido do Sol,
como o maestro em seu concerto.
Assim se consomem os dias.

Afunilados entre o Céu e o Inferno,
enclausurados em um arquivo amarelo,
vivos, porém pálidos, no espaço infinito.
Assim se consomem os dias.

Como o Sol, a noite, o brilho,
e o cheiro novo e velho do mar,
banhando os pés das horas.
Assim se consomem os dias.

Então, pontos finais vêm e vão,
o mundo e a música, o Sol e a Lua,
tudo se torna um cansado fardo.
E, assim, os dias consomem os homens.

Espelhos no Infinito

terça-feira, dezembro 30th, 2008

Middle-earth“Um homem pode tocar o Universo. Pode transformá-lo em água, transformá-lo em vinho. Um homem pode crescer para além das bordas do mundo e fazer da vida um recomeço. Sempre. Pois é isso que a existência é: um ciclo. É o fim hoje e o início amanhã.

Um homem pode criar seu próprio Universo. A partir daí, ele se torna responsável por suas explosões. Se torna seu próprio Big e faz do Bang o ponto final que não existe – para o ciclo sem fim, para a harmonia celeste; para a paz que nos sobrevoa e invade a todos nós, nos fazendo acreditar que podemos ser sempre mais, mesmo quando não somos nada.”

A Chaleira Divina

segunda-feira, dezembro 29th, 2008

God

Em 2006, eu e o Junico começamos a escrever alguns poemas juntos (na época em que ainda me chamavam de Dub =P). Coisas pequenas, que geralmente não ultrapassavam umas oito estrofes. Os assuntos eram variados, e a maneira como nós os escolhíamos, um pouco engraçada. Sempre comecei pelo título, o Jun primeiro idealizava o conteúdo dos seus. Lembro que, uma vez, cismei que um poema deveria se chamar “Goldwyn“. A inspiração foi o estúdio de cinema estadunidense Metro-Goldwyn-Mayer, o MGM, aquele do logo com um leão que ruge, tão lembrados?). Então… lá fomos nós escrever um poema que se chamava Goldwyn! Mas sobre o que diabos poderíamos falar? A minha parte foi sobre um metrô (sim, eu busquei inspiração na palavra “Metro” que compõe o nome da MGM \o/), a do Jun não lembro mais, porquê perdi há tempos esse poema (se alguém o tiver ainda, me envie!).

O poema que está aqui hoje originalmente se chamava “Teto do Pé”, e era composto de duas partes. A primeira do Junico e a segunda, minha. A parte que está aqui é apenas a que eu escrevi. Sozinha, ela passou a ser “A Chaleira Divina“.

(mais…)

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