Posts Tagged ‘sonhos’

Uma visão e um sonho

quarta-feira, maio 6th, 2009

Sonhe e veja

Este conto foi escrito hoje. No começo, só tinha a frase inicial, “Normalmente, eu não saberia dizer como essas coisas aconteceream”. A história surgiu espontaneamente, conforme eu ia escrevendo. É um texto grande, o primeiro conto longo que termino desde 2004 (ou algo assim), pra falar a verdade. Isaac Bashevis Singer me motivou a escrever isso :)

Normalmente, eu não saberia dizer como essas coisas aconteceram — tudo foi demasiadamente rápido. Um ou outro algo eu consegui compreender na época, mas o passar dos anos acabou fazendo com que me esquecesse até mesmo de algumas dessas únicas lembranças. É engraçado que ainda consiga contar alguma coisa.

Trabalhava em um jornal, para o qual escrevia contos duas vezes por semana. Meu editor, Art Blintze, sempre dizia que “o mundo precisava de histórias”. À época, eu ainda escrevia sobre demônios interiores e coisas assim. Os curtos cinco meses que passei na faculdade de psicologia, até quando da morte de minha mãe, haviam me convencido de que já estava apto a vender aos outros filosofias sobre eles mesmos.

Numa terça-feira à tarde, fui ao jornal resolver um problema com um dos cheques do pagamento do mês e me encontrei com Art Blintze. Sua cara redonda, rodeada de tufos de cabelo amarelo, estava apreensiva e angustiada. Quando entrei em sua sala, ele me deu um abraço e foi logo dizendo:

“Você… olha, acho que fiz uma bobagem, uma grande bobagem!”

(mais…)

Se você soubesse…

domingo, dezembro 21st, 2008

The Path's Search

Se eu pudesse voar, não voaria. Não há graça, nem poder, nem novidade alguma no vôo, nem beleza em se ter asas ou majestade em saber usá-las, pois tudo é silêncio, e nem mesmo o bater das asas perturba a quietude. Nenhum sopro. Se fechar os olhos, não sentirá a brisa dançando em seu rosto, enrolando-se em seus cabelos, fazendo arder as pupilas e engedrando lágrimas que rolam, rolam e rolam até caírem e tocarem o chão, saciando a sede que têm, mesmo sendo água, de algo firme onde possam repousar. É a vida, é o tempo, o vento, o paradoxo do nada que abraça a nossa existência, afagando-a mortalmente, fazendo brotar fontes de esperança até mesmo na mais árida das mentes. Tudo é produto da desexistência, da desistência: desistimos da vida no momento em que nascemos. Nos apegamos à causa dos outros, à cauda dos outros. Esquecemos para sempre quem nos deu o empurrão que nos fez sair do vazio e adentrar o mundo. Esquecemos de tudo. Imaginamos desculpas, imaginamos pés mais fortes, asas mais brancas, vôos maiores. Nunca alcançamos nada, nem jamais alcançaremos. Não se trata de saber, fazer ou acreditar. Não se trata de ser, possuir ou poder. Tudo existe por causa da insustentável leveza dos seres. É o vazio do homem que alimenta o amanhã e justifica aquilo que passou: sua simplicidade, desconfiança e medo. Se não houvesse isso, então o que haveria? O desafio de ser mais algum dia descola nossas mentes da normalidade e nos impulsiona a andar por estradas que odiamos, a agir de maneira que não aprovamos, tudo porque somos tão vazios quanto aquilo que nos cerca e, ao mesmo tempo, tão cheios de ecos que reproduzem dentro de nós nossas infinitas possibilidades que a impossibilidade de hoje desaparece diante da inconcretude do dia que virá amanhã. Se ainda há para nós esperança ela é exatamente aquilo que nos torna menores e piores, aquilo que nos faz tão perdidos e desconexos. A esperança é preencher o vazio: orquestrando o silêncio, produzir sons magníficos. A esperança é descobrirmos que não há nada mais maravilhoso que ser incompleto e procurar por toda a existência as peças que se encaixam em nós. No fim saberemos, se tentarmos, que aquilo que procuramos é aquilo que todos procuram — estamos unidos pela busca. Estamos unidos, curiosamente, pelo desconhecido. Se fôssemos todos perfeitos, compartilharíamos nossas perfeições. Não somos. Compartilhamos nossas esperanças. Mais vale sonhar voar que o vôo em si, e não há nada que não possa ser sonhado.

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