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Vanessas havia nos lírios azuis

quinta-feira, abril 23rd, 2009

Just flyNós temos aqui o essencial para sermos felizes. Senhoras e senhores, eu lhes apresento o amanhã, e aproveito para entregar-lhes algumas pequenas pitadas da essência da vida.

Respire e sinta seu corpo arder. Que seja eterno o ar que te rodeia, que seja ilimitado. Mas tanto faz. Você vê o ar? Não, então, do mesmo modo, não precisa ver mais nada. Sua existência depende do invisível, todos nós dependemos dele. Não é aquilo que conseguimos tocar e sentir o que é mais essencial para os nossos dias, mas tudo o que se mantém oculto a nós, difuso nas sombras ou envolto em luz que cega e impede a visão. Eu sei, e você também sabe, que aquilo que mais amamos estará para sempre ausente de nós. E é exatamente isso o que nos faz amar, é isso o que suscita nossas maiores emoções: a saudade, a perda, o voo que não pressupõe retorno.

Você ama e eu amo. Estamos de acordo, então tudo está bom. Sabe, eu poderia dizer que morreríamos no exato momento em que deixássemos de amar, mas isso não faz sentido, então não seria verdade, mesmo sendo algo bonito. De um modo geral, as coisas belas não são verdadeiras. O que é certo (tanto correto quanto real) é o que não é perfeito, aquilo que não está acima de todas as outras coisas. Olha, sou cético quanto ao modo como lidamos com nossas vidas e com esse mundo, mas posso afirmar que, do alto de toda a nossa imperfeição, somos completos exatamente por não o sermos. Eu explico, se houver necessidade.

Veja bem, nós temos aqui o essencial para sermos felizes, e “aqui” é o mesmo que “dentro de nós”, no mais interiorano espaço que há em nossos corpos, no mais íntimo pedaço de nossas mentes. O que eu, particularmente, procuro e espero encontrar são alguns fragmentozinhos de mim que se perderam nas inúmeres viagens que fiz. Há quem os enxergue nas ondas do mar, nos grãos de areia das praias, nas folhas das árvores ou nas nuvens do céu. No meu caso, vejo as borboletas e lírios e sei que há ali algo especial, que, na verdade, não é exatamente uma parte minha que finalmente reencontrei — é mais algo de fora, que, ainda bem, aprendi a guardar dentro de mim. Isso é tudo o que basta.

Uma observação sensata, deixada apressadamente ao final do texto: o que você é faz dos outros o que eles são, e vice-versa, o que significa que todos somos extraordinários graças à sua própria capacidade de ser insubstituívelmente única.

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