Posts Tagged ‘Amar’

Sem saber

quarta-feira, fevereiro 3rd, 2010

Tão confusos andamos, sem saber quem somos;
no campo da mente caminhamos,
achando encontrar a rua nos sonhos,
sonhando ter caminho a achar, enquanto,
e de tal forma sem sabermos como,
nos pomos (e somos) aquilo que
queremos crer não ser. E só.
Nenhuma esperança existe para
quem espera vê-la esperando
à beira da grama do rio da mente,
enquanto, descrente, aguarda,
sem saber que em si guarda
toda a certeza latente, tudo
o que só existe no momento iminente
de uma verdade (ou apenas crença)
que se compartilha com mais de um ouvido
e mais de uma mão, sem que nem se toquem,
sem que se levantem no espaço
para riscar o ar e arriscar falar:
que a confusão de andarmos sem sabermos ser
é só uma contusão na alma, quando ela não sabe
amar.

Texto de 28/11/09. Essa foi a primeira poesia que escrevi em muito tempo; a primeira que fiz depois que conheci a Clara. À época eu havia me dado conta de que estava começando a amar de novo, o que fez com que eu abandonasse boa parte das confusões e dúvidas que sempre haviam me acompanhado. Não há mais contusões em mim. True story.

O que sinto ao tocá-la

sexta-feira, setembro 25th, 2009

Sentir é tocarO que sinto ao tocá-la qualquer homem pode te dizer muito bem, ou pelo menos qualquer homem que já teve meia dúzia de mulheres na vida e soube viver delas e com elas, que soube alongar os momentos bons para além dos limites das horas, que soube dar a elas o que elas quiseram sem esperar nada em troca, porque a mágica não é recíproca, é preciso fechar os olhos e embarcar no jogo sem esperar receber nada a não ser a certeza de que você soube jogar muito bem, amigo. Os prêmios são todos delas, e não importa se você concorda ou não, é assim que é certo, é assim que as coisas devem acontecer. Se te sobrar algo, então muito bom. Se não, entre no jogo outra vez.

Mas, mesmo assim, eu sinto uma vontade louca de te dizer como é, só pra ver se consigo pôr dentro de você algo que não seja essa poeira e o recalque que todos carregam. Escuta bem, amigo, porque não vou repetir o que disser, e se você perder o fio não dou a mínima. Agora escuta, porque tudo começa nos olhos. Quando um encontra o outro o resto do mundo pode desabar que você ainda se manterá inteiro, porque tem um lugar para onde olhar. Você abre, olha, vê, enxerga, penetra, entra e fica lá pelo tempo que for preciso, porque os olhos vão te levar à mente, e é lá que você deve estar antes de tudo. Não importa o que dizem suas cabeças, os olhos sempre guiam ao caminho mais certo.

Então, se você estiver na mente, se estiver lá todo o resto se resolve sozinho. E se ela desvia o olhar não é porque não te quer, é porque não suporta o que você está fazendo com ela. A graça está aí: quando a defesa se quebra e ela olha pro lado e você continua encarando-a e sorri, e ela te olha pelo rabo de olho e sorri também. Você a convida para ir a algum lugar, não convida? Se não, se foda, porque eu convidei e deu certo. Eu chamei e deu certo. Eu me levantei, andei até ela, me apresentei, perguntei seu nome, peguei em sua mão, sussurrei qualquer coisa no seu ouvido e lembro de ter dito: Mais tarde. Mais tarde, sim, aí a gente se vê. Se vê por inteiro, se correr tudo certo.

(mais…)

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