Archive for the ‘Poesias’ Category

Coisas que me lembram você

segunda-feira, março 8th, 2010

Uma ponta de dúvida,

uma ponta de lápis,

uma queda, um vôo,

uns pássaros a mais,

um filme que não desce

tão suave quanto o suco

de graviola que seu pai faz.

Ou será que entendi errado?

Uma saudade de ter

o que ainda não tenho,

nem posso te dar.

Uma pressa sem rumo,

um rumo sem pressa,

uma preguiça na rede,

um sol que estremece

as sombras que tínhamos

nos eus que nós éramos

quando “nós” não era nada.

Um sorriso, um sussurro,

um toque, uma certeza.

A certeza de que há

clareza nesses olhos que uso

para enxergar quem sou

bem dentro dos seus.

Escada lateral

quarta-feira, fevereiro 10th, 2010

Na noite fria em que a escuridão tomou

o nó da terceira rua do bar eu vi,

sem que pudesse jamais esquecer,

o vulto que se ergueu do nada, de

entre os muros, de entre as outras ruas,

subir as escadas do último hotel (da rua),

onde, a esperar, a suspeitar de tudo,

eu aguardava com armas em punho, pólvora

mascada a arenar meus bolsos e fumo e

cigarros e cachimbos espalhados pelo corpo.

Eu tragava, eu desaparecia em fumaça, eu

não era nada que se pudesse ver e, entretanto,

somente eu, naquele quarto, poderia fazer algo

que interrompesse o vulto, que com ele acabasse,

algo como o que não fiz. Porque os que esperam na noite

pelas formas que nela se arrastam,

pelas sombras que as formam,

pela escuridão que desprega os dias dos céus,

são aqueles que vivem no oscuro,

no crepúsculo da sanidade,

encimados no pináculo do medo,

sussurrando, sem saber que ninguém os escuta,

que há um vulto lá fora a entrar no quarto do hotel

e que quer matá-lo, ou tentar, somente.

Esse era eu, o que aguardava. E aquele era ele,

o que vinha até mim para me consumir a vida.

E então foi que percebi, como nunca havia

percebido antes, que nada do que eu dizia,

ou pensava, ou acreditava,

era de todo uma verdade.

Eu só estava bêbado. E só.

E, sabendo disso,

guardei as armas que carregava,

apaguei os fumos, limpei os cachimbos

e tombei na cama fedida do hotel, sem esperar

que alguém viesse tirar satisfações dos crimes

que um dia havia cometido.

Porque o que os bêbados não temem

os sãos não farão em vão.

Sem saber

quarta-feira, fevereiro 3rd, 2010

Tão confusos andamos, sem saber quem somos;
no campo da mente caminhamos,
achando encontrar a rua nos sonhos,
sonhando ter caminho a achar, enquanto,
e de tal forma sem sabermos como,
nos pomos (e somos) aquilo que
queremos crer não ser. E só.
Nenhuma esperança existe para
quem espera vê-la esperando
à beira da grama do rio da mente,
enquanto, descrente, aguarda,
sem saber que em si guarda
toda a certeza latente, tudo
o que só existe no momento iminente
de uma verdade (ou apenas crença)
que se compartilha com mais de um ouvido
e mais de uma mão, sem que nem se toquem,
sem que se levantem no espaço
para riscar o ar e arriscar falar:
que a confusão de andarmos sem sabermos ser
é só uma contusão na alma, quando ela não sabe
amar.

Texto de 28/11/09. Essa foi a primeira poesia que escrevi em muito tempo; a primeira que fiz depois que conheci a Clara. À época eu havia me dado conta de que estava começando a amar de novo, o que fez com que eu abandonasse boa parte das confusões e dúvidas que sempre haviam me acompanhado. Não há mais contusões em mim. True story.

Apoteose & Epifania

segunda-feira, janeiro 11th, 2010
um milhão de sóis e barulhos
se misturam na mente,
conforme as estrelas passam,
o céu se apaga
e as estrelas caem
e o mundo se move
e a estrelas…
(mais…)

É claro, eu sei

sábado, novembro 28th, 2009

Um dia eu escrevi

então é isso,
uma palavra apenas
e some
toda a certeza,
mas reaparece
toda a vontade
de ser alguém
que não se ame apenas,
mas seja para os outros
amarem.
para um deles só,
por favor.
não se pede favores demais
a nenhum tipo de amor.

(mais…)

Por céus

sábado, novembro 14th, 2009

Floresta de símbolos

“por céus”, você diz,
“você não lutou”.
eu te responderia assim,
ou não diria nada, talvez,
mas, de certo modo,
falaria a mim mesmo:
“que são céus? diabos!”.
e, desse modo, tornaria
a calar e consentir.
e, consentindo,
eu seria assim mesmo,
como fui com os anos,
com o passar do tempo
e dos muitos céus.
ora, diabos, eu só não lutei!
sou um homem quieto,
consumido por larvas
de uma passado insosso.

(mais…)

Ella

domingo, novembro 8th, 2009

Dead end

Ela,
você sabe, não é?,
como encantadora é,
trejeitos e face que
mudam um homem,
o tornam melhor.
você precisa saber.
se não souber,
isso significa
que não há nada em você
que valha a pena.

(mais…)

Sangue no muro das almas divididas

terça-feira, abril 28th, 2009

How do you mind a broken soul?Pare com os gritos,
as guerras, os mitos,
abra seus olhos, veja
o mundo restrito,
escondido atrás do muro
dos sonhos infinitos.

Você consegue ouvir
os sons do passado?
Eles contam a glória
de homens sepultados,
bom seria se hoje
estivessem ao seu lado.

Há sangue no muro
das almas divididas,
escorrendo das falanges
dos espíritos abatidos.
Quanto mais poderá
uma alma sangrar?

Mãos recolhidas,
palavras contidas,
por que esconder
o que se deve ver?
Abra os olhos,
não há nada a temer.

O que é real, é real,
o que é fé, é fé,
não há nada no mundo
que não seja o que é,
nenhuma coisa especial
além do que é real.

Aquilo em que acredita
faz o que você é por dentro:
uma esperança, uma lenda,
um homem que não se renda.
Quem saberá dizer
o que você vai se deixar ser?

Sangue no muro, palavras escritas
com letras vermelhas
que jamais serão ditas.
Para que falar, se é melhor fazer?
O futuro é escarlate
para eu e você.

Terminam as almas
como tijolos no muro,
argamassa que tampa os furos,
esconde a luz, conjura o escuro.
No horizonte perdido o sol ilumina
a muralha vermelha, nossa mútua sina.

Lightcats

terça-feira, abril 14th, 2009

black_blue_bird_lhaq

Há certo tempo, eu amei uma garota. Esse tempo foi hoje.

Feche seus olhos
e eu te guiarei
em meio aos campos,
às montanhas
e ao mar,
rumando
para o infinito,
mas passando antes
em casa
para apanharmos tudo aquilo
que levaremos conosco
e abandonarmos o resto.
Feche seus olhos
e eu te mostrarei
um lugar onde descansar
em paz,
sem nada ao redor,
com tudo
dentro de você mesma.
Não é nada de novo,
não é nada perfeito,
mas é vivo, quente
e estranhamente
poderoso,
e igualmente
luminoso,
como uma chuva de estrelas
ou o revoar de mil vagalumes
que se desprendem da terra
e voam até as nuvens do céu,
chocando-se,
tocando-se,
enquanto fazem brilhar
o mais escuro do firmamento,
enquanto apontam o caminho
que nós dois iremos trilhar.
Mantenha seus olhos fechados
enquanto eu te mostro cores
que só podem ser enxergadas
pela alma.
Aquilo que os olhos não vêem
eu sempre poderei te mostrar
com o coração.

30 Tiranos

segunda-feira, março 16th, 2009

Who watches de Dumbmen?


Muitos tiranos nas colinas vermelhas,

rolando cabeças pelo banco de areia,

ideias lhes vazam por suas  moleiras,

que jamais irão se fechar por inteiras.

Muitos tiranos repousando na beira

do abismo donde a treva se esgueira,

tecendo uma espessa e nebulosa teia

que a todo o escuro espaço permeia.

Muitos tiranos portam suas ceifeiras,

podam as flores nascidas sorrateiras,

contaminam campos de toda maneira,

retiram as cores de paisagens inteiras.

Muitos tiranos há nas cidades alheias,

ocupando suas ruas, portas e soleiras,

detonando o medo e a fúria em cadeia,

fazendo todas as regras à sua maneira.

Mas quem dita as regras,

e quem regra o que é dito?

Quem faz todas as escolhas,

e quem por elas é escolhido?

“30 Tiranos” é um título genérico, usado para abrigar textos com a mesma temática, que provavelmente se tornarão uma proto-mini-tosca-graphic novel, mas não prometo nada.

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes