Ella

Dead end

Ela,
você sabe, não é?,
como encantadora é,
trejeitos e face que
mudam um homem,
o tornam melhor.
você precisa saber.
se não souber,
isso significa
que não há nada em você
que valha a pena.

não diante daquilo
que ela,
e ela apenas,
pode te dar.
porque, sabe?, é apenas
um passo
o que nos joga no precipício
ou nos faz recuar
diante dele.
e ela,
agora eu sei,
é um abismo
que não tem fim.
bela e terrível
à sua maneira.
vazia
como só ela sabe ser,
mas, ainda assim,
mais preenchida
que nossos corações
repletos de coisas vermelhas,
ardorosamente humanas,
apaixonadamente inúteis.
ela, você sabe, não é?,
é por quem estou caindo.
ela.
a gente percebe,
quando chega ao fim
da descida,
que o que mais conforta
é saber que,
quando estivermos no chão,
poderemos andar outra vez,
e dessa vez não apenas cair,
em direção a ela.
e agora você vai embora,
porque há coisas demais
que tenho de ver,
e muito a recordar.
ela está,
é minha última mensagem,
me chamando
para um último abraço.
eu vou para você,
fazer valer minha vida inteira.
estou voltando para casa
por cima da amurada do penhasco
de mentiras verdadeiras que contei
para te fazer sair de nós.
Ella,
diga olá
aos meus muitos eus,
aos meus nomes novos,
às minhas esperanças,
que você fez nascer.
ela.
ela te torna um homem melhor.

6 meses ou mais depois da minha última poesia, repentinamente, agora à pouco, me veio a rara vontade de escrever uma nova.

Coloquei “Hurt”, do Johnny Cash, pra tocar enquanto escrevia essa. Pode ser bom ouvi-la na hora de ler o poema.

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One Response to “Ella”

  1. Mamá Says:

    Lindo, Edu.
    Adorei!

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