Archive for novembro, 2009

É claro, eu sei

sábado, novembro 28th, 2009

Um dia eu escrevi

então é isso,
uma palavra apenas
e some
toda a certeza,
mas reaparece
toda a vontade
de ser alguém
que não se ame apenas,
mas seja para os outros
amarem.
para um deles só,
por favor.
não se pede favores demais
a nenhum tipo de amor.

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Protegido: Capítulo sem nome

terça-feira, novembro 24th, 2009

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A guerra se viu

sábado, novembro 14th, 2009

Balas, corvos, areia e névoa

Eu estou aqui, de volta, para escrever o mais ambicioso texto de toda a minha vida. Pausa dramática. Não até agora, não comparado aos muitos que já tenho, mas até aos que ainda vou ter. Pausa pretensiosa. O que vocês vão ler, se lerem, é meu maior vôo, e um dos que mais valerão a pena, saldadas as dívidas, fechadas as contas e somados os sonhos e pesadelos.

Em poucos parágrafos (eu não quero que meus momentos literários durem muito, mas o suficiente, assim como tudo na vida, né?) eu terei de assumir o papel de texto (minha única forma conhecida de imortalidade) e passar a viver para a eternidade como palavras impressas numa tela, numa folha, no relâmpago de memória que trouxer qualquer um de volta a esse momento, à essa hora da noite, 19h30m, simbólica ou não, quando decidi escrever o mais ambicioso texto de toda a minha vida. E ele fala dela com uma propriedade que nem mesmo ela (a minha) possui.

Agora, me odeie.

Corra como o vento, cale-se, é esse o momento, o tempo não importa para os que correm na noite roçando, rolando, caindo, um deslize só, pela grama seca, no despenhadeiro, no desespero, invadindo terrenos alheios, Você grita e eles te ouvem?, eles vêm com forcados, que eu sei, todos, na verdade, desejam nos ver enforcados, nós sabemos, mas não falamos, porque dói demais falar que nos odeiam, que nós odiamos, que passamos, que não seremos, quem não teremos, porque cremos, no fundo, nunca na superfície, que estamos fadados a um incompreensível e vazio destino dado, de nós esvaziado, que não estaremos nele como estamos hoje aqui, e incompreensível diante daquilo que ignoramos conhecer. E então os passos interrompem-se, a queda se vai, os nervos se rompem, calcanhares se partem. Você é Aquiles jamais banhado, pela mãe largado às margens do rio, menino, fugindo da água como qualquer pequeno, não passa de criança, por não querer se tornar puro, por ver no que é mais obscuro a única mão capaz de guiar-te rumo a um desconhecido que inflama a mente e o ventre, mas liberta as asas que nenhum de nós carrega às costas. E você acha que sabe voar, e tenta fazer o que sabe, não é?, porque te ensinaram como saber, disseram o que é que se usa para preencher a vida, os momentos, as alegrias, o que se adquire, as esperanças, e você acredita nisso, e recomeça seus passos correndo atrás do rabo da serpente que deixou traços prateados ziguezagueantes a te mostrarem o rumo de um suposto infinito, e você tem de acreditar no infinito, porque o que não acaba só poder ser bom, porque nunca foi visto, nem dito, e, se é um mito, não pode ser ruim. Que mente criaria um mito assim?, talvez se pergunte, talvez queira parar de correr e escutar os que vêm na direção contrária, esbarrando, roçando, rolando, caindo, de novo, sobre você quando não os vê, mas por que veria, afinal?, se estão contra a corrente que te leva, estão contra o que te empurra, e você urra, é que aqui a vida está acabando, bem onde começa, porque seu parto chegou ao fim e você pariu no mundo uma menina. E a ela repassou sua sina, mulher que vê maravilhas na vida. Agora que a tem nos braços, e não antes disso, é essa a hora em que deveria ter começado a gritar.

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Por céus

sábado, novembro 14th, 2009

Floresta de símbolos

“por céus”, você diz,
“você não lutou”.
eu te responderia assim,
ou não diria nada, talvez,
mas, de certo modo,
falaria a mim mesmo:
“que são céus? diabos!”.
e, desse modo, tornaria
a calar e consentir.
e, consentindo,
eu seria assim mesmo,
como fui com os anos,
com o passar do tempo
e dos muitos céus.
ora, diabos, eu só não lutei!
sou um homem quieto,
consumido por larvas
de uma passado insosso.

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Protegido: Capítulo 1

quinta-feira, novembro 12th, 2009

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Ella

domingo, novembro 8th, 2009

Dead end

Ela,
você sabe, não é?,
como encantadora é,
trejeitos e face que
mudam um homem,
o tornam melhor.
você precisa saber.
se não souber,
isso significa
que não há nada em você
que valha a pena.

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Arte é coisa séria?

terça-feira, novembro 3rd, 2009
Mona Lisa Duchamp
Benjamin Constant estava prestando um grande favor a todos nós que procuramos definir arte quando cunhou a expressão “arte pela arte”, nos idos anos de 1804. É, de fato, pela arte que a arte deve fazer-se; deve constituir-se através de mãos hábeis que lhe darão forma, substrato e conteúdo, e através de mente igualmente forte, capaz de buscar nos poços profundos do pensamento o material do qual ela é feita. Da arte só se espera que seja artística, e nada mais. E as definições do artístico transcendem nossa própria capacidade de definir.

O cerne de qualquer boa discussão sobre arte é justamente as incertezas quanto à sua verbalização. O que é? E, se de fato for algo plenamente definível, será universalmente aceita como tal? E acaso terá o mesmo significado para cada uma das culturas que buscarem interpretá-la? Curiosamente, podemos explicar arte tratando das noções mais profundas de sua constituição, aquelas que residem no núcleo da expressão artística, mas ainda (e quem sabe sempre) estamos distantes de uma conceitualização do fenômeno que seja correta e aceitável.

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Protegido: O menino que chorava demais

terça-feira, novembro 3rd, 2009

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Ave, palavra: Isaac B. Singer (n°. 1)

segunda-feira, novembro 2nd, 2009

Diário de rascunhos

Não é sobre o livro do João Guimarães Rosa, já que dele só li dois (pedras em mim!), e nenhum deles foi Ave, Palavra. Este post é sobre escrever, mais precisamente sobre como eu escrevo (porque, sim, desavisado, este blog é o caderno de um escritor na primeira infância das palavras).

O “Ave, palavra” do Blackbird é uma série de textos tratando sobre influências literárias, especialmente quanto a estilo, enredo e construção de personagens. E, acima de tudo, é um exercício da mais sincera autocrítica possível.

Comecei a pensar em minhas influências literárias, especialmente no que se relaciona a meus estilo, enquanto relia contos de um dos livros que mais me cativou este ano, 47 contos de Isaac Bashevis Singer (Ed. Companhia das Letras; 717 págs, com direito a glossário), uma coletânea feita por ele mesmo dos ótimos textos desse escritor iídiche e, como é de se esperar, judeu, que melhor do que nenhum outro já lido por mim soube descrever a cultura judaica nos shtetlech (comunidades judias típicas) poloneses e bairros pobres das cidades estadunidenses nas décadas de 20 à 60 (estimativa). Pois bem, às influências. Tenho uma meia certeza de que foi depois de ler Uma coroa de penas, conto do livro citado, que escrevi meu primeiro texto inspirado em Isaac Bashevis Singer, O último fio a ser cortado, o qual muita gente chama de “aquele sobre o judeu que Deus visita”, interpretando mal e porcamente a criatura sobrenatural que observa o protagonista, Moshe Yacoovson, em uma das noites de sua vida.

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Protegido: Uma eternidade cansada de ser eterna

segunda-feira, novembro 2nd, 2009

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