Sangue no muro das almas divididas
Pare com os gritos,
as guerras, os mitos,
abra seus olhos, veja
o mundo restrito,
escondido atrás do muro
dos sonhos infinitos.
Você consegue ouvir
os sons do passado?
Eles contam a glória
de homens sepultados,
bom seria se hoje
estivessem ao seu lado.
Há sangue no muro
das almas divididas,
escorrendo das falanges
dos espíritos abatidos.
Quanto mais poderá
uma alma sangrar?
Mãos recolhidas,
palavras contidas,
por que esconder
o que se deve ver?
Abra os olhos,
não há nada a temer.
O que é real, é real,
o que é fé, é fé,
não há nada no mundo
que não seja o que é,
nenhuma coisa especial
além do que é real.
Aquilo em que acredita
faz o que você é por dentro:
uma esperança, uma lenda,
um homem que não se renda.
Quem saberá dizer
o que você vai se deixar ser?
Sangue no muro, palavras escritas
com letras vermelhas
que jamais serão ditas.
Para que falar, se é melhor fazer?
O futuro é escarlate
para eu e você.
Terminam as almas
como tijolos no muro,
argamassa que tampa os furos,
esconde a luz, conjura o escuro.
No horizonte perdido o sol ilumina
a muralha vermelha, nossa mútua sina.
Posts relacionados
- Uma conversa na noite Deus é o narrador. Única informação necessária. Andava acabrunhado e nada parecia poder me divertir. Se antes viagens e jogos bastavam, agora nem mesmo serviam para me tirar do estado nauseabundo de marasmo e...
- E se Deus fosse um de nós… … apenas tentando voltar pra casa? “Quando se vive solitariamente para sempre, quando se tem controle sobre toda a existência alheia, quando nada pode ferir-nos, ainda assim não somos completos, e só nos encontramos...
- O vestido entre dois mundos “Não é sobre o vestido!”, gritou a fera, cuspindo um misto de saliva salpicada de sangue enquanto tentava ocultar suas garras. Não queria assustá-la desnecessariamente, mas era um tanto impossível não fazê-lo, convenhamos. “Quando eu...
- Lightcats Há certo tempo, eu amei uma garota. Esse tempo foi hoje. Feche seus olhos e eu te guiarei em meio aos campos, às montanhas e ao mar, rumando para o infinito, mas passando antes...
- Deborah vestiu um sobretudo vermelho qualquer (Parte IV) Estamos nos aproximando do fim da história, mais umas duas partes e aí termina :) O recepcionista ainda estava ali, absorto em fazer desenhos em seu livro de hóspedes. Deborah não sabia o que...



abril 28th, 2009 at 11:29
Por que isso soa como música? hEhehedh
tá bem legal mas tudo que passa na minha cabeça é o ritmo de algo profundamente triste
veja no blog do(a) Belly:
abril 28th, 2009 at 11:43
Porque foi escrito como uma música, seguindo uma melodia =P
abril 28th, 2009 at 13:50
Profundo, triste, sensação de distância e de vazio profundamente caregado de sentimento… Muito bonito.
abril 28th, 2009 at 15:33
AHHH faz todo sentido então! ^^ quero ela gravada até amanhã entao
veja no blog do(a) Bells:
abril 28th, 2009 at 15:58
Aceito uma cópia da gravação.
Aproveito o ensejo para firmar meus votos de grande estima e consideração pos vossa senhoria.
Atenciosamente.
maio 4th, 2009 at 21:48
Poutz, gostei, edson. No começo eu achei que fosse um poema de algum autor, famoso e tals, que você iria trabalhar em cima, mas aí eu vi que foi pioran… (XD) Não brincadeira, depois eu vi que não era, eu parei de ler e olhei o post todo, e percebi que é de sua autoria.
Muito bom. Não sei se essa imagem retrata bem a poesia (eu gosto de analisar seus textos com a imagem), porque ela nem relata tanto o choque ou mesmo a expressividade do poema.
Pronfundo, dá pra refletir com certeza se não há outra tinta que a humanidade não possa usar pra escrever sua história.