Luminus Obscuri (Jogos Textuais – Parte VI)

Brilhe

Acompanhe as partes anteriores deste Jogo Textual postadas no Blackbird e no Expressionando. Boa leitura, e obrigado por todos os peixes!

Ikatki era um deus ou algo assim. Sinceramente não sei dizer o que ele era, jamais dei importância a esse tipo de coisa antes, mas…

A lenda sobre Ikatki dizia que ele havia apagado o globo incandescente (no momento não me recordo muito bem, mas há poucas chances de ter sido um retângulo) que iluminava nosso planeta. Por quê? Porque ele se sentia só. Como é? Também não compreendo. Alguém que se sinta só jamais irá querer ver extinguida a luz, certo? Parece que não para ele.

Talvez Ikatki tenha sido o primeiro dos lumini a andar por aqui; e talvez ele tenha escolhido enegrecer-se e confundir-se com a escuridão para jamais ser notado, para que pudesse continuar sozinho pelo resto de seus infinitos dias, pois assim lhe seria mais prazeroso, seria mais… como posso dizer? Talvez você saiba: quando está sozinho, você tem sede de quê?

Tenho sede de água. Em minha solidão espontânea, desejo apenas água. Sorvo alguns goles do lago que me rodeia. Curioso, não me dei conta, mas estou no meio dele, cercado por águas que tocam minha pele e me fazem sentir imerso numa profusão de mares interiores, ou outras coisas molhadas assim, dos quais não tenho ciência. As estrelas refletem-se na superfície do lago. Chamo estrelas aquilo que não tem nome, os pontos brilhantes acima de mim que nenhum de minha espécie jamais enxergou. Sou privilegiado, sou condenado, sou agraciado, sou podado. Eu sou.

Ikatki me vem à mente mais uma vez. Ele tinha um irmão, não lembro qual o seu nome… talvez Nanki ou Akin, realmente não sei. Nas lendas, Akin tomou para si uma última porção do fogo do grande astro, antes que seu irmão o apagasse, e incendiou-se a si mesmo, tornando-se a única luz desse planeta. Se Ikatki foi, em corpo, o primeiro dos lumini, Nanki foi nossa primeira alma.

Gostaria de saber se as lendas são verdadeiras. Será que as estrelas presenciaram todos esses feitos? Elas sabem? Mas, se não for verdade, o que aconteceu conosco e com o mundo em que vivemos, onde se refugiou o fogo que consumia o vazio escuro que está além do que vemos?

A água escorre pelo meu corpo, as estrelas ainda brilham sobre mim. Eu fecho meus olhos. Ainda posso vê-las.

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6 Responses to “Luminus Obscuri (Jogos Textuais – Parte VI)”

  1. Celso Says:

    Muito bom! Você mestra RPG? Se não, poderia, tem jeito. ^^

    Notei dois erros de ortografia, nesta frase: “Sou priveligado, sou conenado, sou agraciado, sou podado.”

    veja no blog do(a) Celso: Notícia HTML 5

  2. beta Says:

    Procure não escrever coisas brilhantes em cima da hora, ou eu vou te bater por mera inveja! Gostei especialmente a parte da água, das estrelas e dessas duas partes:
    “onde se refugiou o fogo que consumia o vazio escuro que está além do que vemos?”
    “as estrelas ainda brilham sobre mim. Eu fecho meus olhos. Ainda posso vê-las.”

    Mais me chamaram atenção, apesar de eu nao querer interpretá-las aqui porque acho que é o tipo de significado pra me atingir diretamente, nao para ser debatido!

    Gostei. melhor que o segundo ^^

    veja no blog do(a) beta: Black whitenin

  3. Lilian Says:

    Cada vez melhor… com errinhos, sem revisão mas mais intenso. E realmente tem coisas que nos atingem diretamente como a Beta ali em cima disse.
    “Chamo estrelas aquilo que não tem nome, os pontos brilhantes acima de mim que nenhum de minha espécie jamais enxergou. Sou privilegiado, sou condenado, sou agraciado, sou podado. Eu sou.”
    Posso interpretar de tantas formas que acabo viajando lendo.
    Parabéns de novo guri.
    Fascinio!

  4. Gabriel Says:

    Creio que não há mais palavras para descrever a magnitude do que estão fazendo, a beta e a Lilian disseram tudo. So o que acrescento é que continuarei acompanhando essa historia que possui um incrivel fascinio e uma quantidade imensa de significados. Novamente, parabens.

  5. Arlequim Says:

    Prometo que volto com mais tempo e leio tudo.
    Adorei seu comentario no meu blog, espero que apareça mais vezes.
    Beijos

    veja no blog do(a) Arlequim: Daniela

  6. Edu Says:

    @Celso: Não mestro, não. Na verdade, nunca joguei RPG (shame on me!) por falta de quem jogar comigo… o máximo que fiz foi escrever umas aventuras e tentar jogar algo pela internet mesmo =P

    @Bells: O sono e as conversas mais bizarras de todos os tempos fazem bem para minha capacidade de escrever hahaha. Eu gosto muito desses trechos que você destacou também, especialmente do último deles, que tem um significado bem legal =)

    @Gabriel: Ainda há um bocado de coisa a ser desenvolvida. O legal do Luminus é que meu estilo se contrapõe na medida certa com o do Smaily, as coisas que ando escrevendo têm saido bastante introspectivas/intimistas, e as dele utilizam bem a descrição. Assim dá pra eu continuar extrapolando nas divagações do personagem principal sem me preocupar em prejudicar muito a história \o/

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