Até segunda!
quarta-feira, dezembro 31st, 2008Tô indo viajar hoje, então o blog vai ficar sem atualizações até segunda-feira. Devo compensar isso postando mais coisas na próxima semana, vamos ver no que dá…
Um ótimo ano-novo pra todo mundo :)
Tô indo viajar hoje, então o blog vai ficar sem atualizações até segunda-feira. Devo compensar isso postando mais coisas na próxima semana, vamos ver no que dá…
Um ótimo ano-novo pra todo mundo :)
“Um homem pode tocar o Universo. Pode transformá-lo em água, transformá-lo em vinho. Um homem pode crescer para além das bordas do mundo e fazer da vida um recomeço. Sempre. Pois é isso que a existência é: um ciclo. É o fim hoje e o início amanhã.
Um homem pode criar seu próprio Universo. A partir daí, ele se torna responsável por suas explosões. Se torna seu próprio Big e faz do Bang o ponto final que não existe – para o ciclo sem fim, para a harmonia celeste; para a paz que nos sobrevoa e invade a todos nós, nos fazendo acreditar que podemos ser sempre mais, mesmo quando não somos nada.”

Dedicar, ainda que ao nada, uma vida desprezada pelo tempo, estilhaçada pelas horas, feridas com três minutos, um amém e dois raiares de aurora?
O que seria a penitência, entregar os momentos em que se consegue respirar, em que se consegue, mesmo que seja por segundos apenas, colocar a cabeça fora do turbilhão de palavras e luzes que fazem parte disso que chamamos agora?
Quem disse que deveríamos agradecer? Subestimar, enraivecer, criar laços e esculachos com setes santos e um pastor, não seria isso o correto? Quem falou “Deus é fiel”? Quem cantou argumentos sobre uma verdade que nada é, além de surreal utopia?
Quem, pelo menos um dia, se pegou olhando as estrelas e dizendo “Deus abençôe o Big Bang!”?
Quem, um dia ou outro qualquer, rasgou sua dedicatória a quem quer que seja e escreveu em um pedaço de papel: “eu nao agradeço a ninguém, já que eu criei tudo isso”?
Será que alguém, em qualquer ponto do tempo que seja, olhou as luzes do céu e parou para pensar que estava vendo um espelho?
Será que alguém já escreveu dedicatórias, ainda que ao nada, à uma vida desprezada pelo tempo, estilhaçada pelas horas, feridas com três minutos, um amém e dois raiares de aurora?
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Como pode ser facilmente percebido, essa série é formada por cinco (duh!) dedicatórias. Há mais perguntas que respostas nelas, e a intenção é justamente fazer quem está lendo pensar no que está lendo. É uma série legal, mas é provável que não agrade a todos, porquê não são histórias que as dedicatórias contam, elas mexem com algumas questões existenciais para as quais muita gente não dá a mínima. Pena. Mas… fazer o quê?

Em 2006, eu e o Junico começamos a escrever alguns poemas juntos (na época em que ainda me chamavam de Dub =P). Coisas pequenas, que geralmente não ultrapassavam umas oito estrofes. Os assuntos eram variados, e a maneira como nós os escolhíamos, um pouco engraçada. Sempre comecei pelo título, o Jun primeiro idealizava o conteúdo dos seus. Lembro que, uma vez, cismei que um poema deveria se chamar “Goldwyn“. A inspiração foi o estúdio de cinema estadunidense Metro-Goldwyn-Mayer, o MGM, aquele do logo com um leão que ruge, tão lembrados?). Então… lá fomos nós escrever um poema que se chamava Goldwyn! Mas sobre o que diabos poderíamos falar? A minha parte foi sobre um metrô (sim, eu busquei inspiração na palavra “Metro” que compõe o nome da MGM \o/), a do Jun não lembro mais, porquê perdi há tempos esse poema (se alguém o tiver ainda, me envie!).
O poema que está aqui hoje originalmente se chamava “Teto do Pé”, e era composto de duas partes. A primeira do Junico e a segunda, minha. A parte que está aqui é apenas a que eu escrevi. Sozinha, ela passou a ser “A Chaleira Divina“.
Como romper com nós mesmos
e traçar uma nova estrada,
por onde seguiremos
acompanhados daquilo que amamos,
rumando para o desconhecido
que conhecemos tão bem?
(mais…)
A segunda parte de Divosk. Ela foi totalmente reescrita e não se parece em nada com aquela que escrevi há uns quatro anos atrás. Apenas o primeiro parágrafo e metade do segundo vieram da primeira versão, e também parte da fala e Hugor à Divosk. Em geral, acho que ficou melhor do que estava antes. Veremos :)
Divosk
Parte Dois: Hugor
É Hugor o nome do servo. Ao menos é isso que contam, então esse será seu nome até que outra verdade seja encontrada. Sobrenome, talvez, ninguém nunca saiba dizer. Características ele possui muitas: bajulador, horroroso, falso, ignóbil, medroso, malevolente… no seu íntimo, um homem como todos os outros.
Divosk é uma das histórias mais singulares que eu já escrevi. É perturbadora, simbólica e demente. Eu evito lê-la e adoro escrevê-la. Ler Divosk é como se estívessemos encarando o pior de nós. Ultimamente tenho usado muito a palavra “catarse” [purificação; "segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama" @ Wikipédia] para falar de algumas coisas, como esse blog, por exemplo. Em uma conversa com um amigo, disse que o Blackbird é uma catarse pra mim, onde eu me lavo daquilo que há de pior em mim mesmo. Se for realmente assim, eu não poderia deixar de incluir Divosk aqui.
Essa é uma série de alguns textos curtos (de cinco ou seis parágrafos cada) que narram a história do fim da vida de um rei. Foi publicada na Valinor (de maneira incompleta) há um tempo atrás, mas agora estou reescrevendo pra pôr aqui no blog, tirando as partes ruins e acrescentando alguns detalhes.
Apesar de eu querer manter esse blog em um tom agradável, que condiz com os momentos que tenho vivido, estou passando a seguir alguns conselhos e colocando textos diversos aqui, dos poemas mais bonitos às incursões mais tenebrosas na história dos homens. A proposta desse blog é divulgar textos meus que eu ache bons, sejam eles leves ou pesados, então omitir Divosk só porquê quero deixar o blog clean seria quase um pecado. Matei o coitado do Vasili de “O Exército de um Homem Só” ontem, não posso matar um rei também…
Enfim, vamos à primeira parte da série. Divosk é sobre o pior de nós. E é também sobre redenção.

Noel vacilou diante da escada; sua boca estava seca, a garganta arenosa. Os olhos, sempre atentos, haviam captado um movimento no andar de cima da casa. Não deveria haver ninguém alí… ele não contava com isso. Agora tudo se complicava, tornava-se mais perigoso do que ele imaginara. Pai, pensou Noel, olhe por mim nessa hora, não deixe que dê errado. Nada poderia dar errado, Noel sabia.
Pé após pé ele subiu as escadas, devagar, atento, evitando qualquer barulho que o denunciasse. Era querer demais. As tábuas rangiam, seus pés batiam involuntariamente contra os degraus, o corrimão balançava ao toque trêmulo de suas mãos. Noel estava perdido, decididamente perdido. E sabia bem disso.

Retomar coisas antigas é sempre bom. Ao menos pra mim. Ontem folheei meu caderno da faculdade e arranquei todas as páginas onde havia textos e anotações não relacionadas ao curso (essas páginas, muito suspeitamente, eram mais numerosas que as de anotações de matérias. Não sei como consegui terminar um período :P). Nisso, acabei encontrando uma história inacabada que eu estava escrevendo para o Natal desse ano (e que pretendo terminar à tempo, muito embora não acho que consiga fazê-lo em menos de dois dias), um conto sobre os relógios de um prisioneiro de guerra chinês, notas, desenhos e rabiscos diversos sobre Corvaria e muitos poemas curtos sem rima alguma que refletiam o que eu sentia na época. E ainda refletem o que sinto hoje.
Muitos dos poemas não tinham nome, então eu segui minha lógica habitual de dar a textos nomes provisórios em inglês. Passaram, então, a se chamar “Heaven” (“Céu”), “Road” (“Estrada”) e “Rest” (“Descanso”). Todos eles abordam, praticamente, o mesmo assunto: a retomada de uma caminhada ou a busca por um caminho. E eu odiei saber dessa semelhança! Por Deus, será que eu não poderia ter pensado, na época, em algo mais criativo do que uma estrada perdida? E o grande problema é que, mesmo agora, eu não consigo pensar em nada melhor. Estradas, abismos e vôos pelo universo me perseguem.
Embora eu tenha considerado os poemas ruins, resolvi publicá-los aqui porquê dizem mais do que os que ando escrevendo agora. Seguem Rest e Heaven. Road não faz muita diferença…

Pass me by (“Passe por mim”) é uma música bem antiga, de uns dois anos atrás. É uma das poucas que fiz que já vieram com melodia, embora eu ache que o arranjo em geral tenha ficado muito ruim. Paciência. O problema é que ela é muito devagar, vai, vai, você toca, toca e ela mantém o mesmo ritmo valseado e divagante do início ao fim, sem nada de muito empolgante acontecer. Grande porcaria! Vou ter que dedicar mais tempo à ela qualquer dia desses. Tinha até uma versão em inglês (que até rimava, RÁ!), mas eu perdi o arquivo.