13/jan/2010

Posted by Breno C. Souza in Featured Articles, c-sides | 14 comments

Multicoloridos e sem noção

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Não me sinto na obrigação de fazer um banner legal

Estou numa onda de clichês polêmicos, por isso prepare-se para o mais novo tema que será comentado e dessecado aqui no C-SIDES: Bandas Cine e Restart! Eu sei, dessa vez realmente passei dos limites, mas vocês vão ver que é por um motivo bem legal, mesmo que não seja nada nobre fazer as pessoas rirem as custas dos outros.

Antes que as fãs das duas bandas comecem a encher essa postagem de comentários dizendo que eu sou um “feio, bobo e malvado”, vou só lembrar que o objetivo do C-SIDES é justamente comentar tudo sobre música e sempre a partir da minha visão. Então, não estou nem ai se você acha o vocalista do Cine lindo ou o baterista do Restart um gato. Isso aqui não é concurso de beleza! Estamos falando de música e eu vou detonar com o estilo dos caras, passando das vestimentas multi coloridas às caras de bebe chorão. E se você não gostar disso… bom… tenha paciência, também não gosto dos metaleiros e um dia vou falar mal deles também, assim como vou falar mal de meio mundo.

Mas vamos partir de uma linha de pensamento mais sólida e com começo, meio e fim. Primeiro tenho que explicar que esse texto está sendo oferecido diretamente a Rapha. A maior parte de vocês não sabe quem é ela, mas o importante é que estou agradecido pelos vídeos passados pela jovem e por ter me iluminado nesse caminho mais do que colorido do novo cenário musical nacional. Sério mesmo, um beijão para essa garotinha de péssimo gosto musical, mas grande coração.

Mas do que estamos falando mesmo? Alguém ai sabe quem é Cine? Ou o que seria Restart? Pois bem, vou apresenta-los para que vocês não fiquem no mesmo limbo que eu, não esperem uma história muito elaborada, até porque são bandas que começam a pouco, muito pouco tempo e já estão ai… NA MTV!

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"Sou o fodão badass do play, lá no condomínio"

Corro até o last.fm e… não acho nada. Até tem a banda lá, as tags, reconhece as músicas e agrupa, mas não tem uma biografia da banda. Então fui até a Wikipedia e não sei se posso dizer se fiquei feliz ou triste de saber que eles já tinham um artigo sobre a banda. Vou parar de enrolar e copiar o tal artigo para cá, segue:

“Banda Cine é um conjunto musical paulistano formado em 2007. Sua gravadora é a Universal Music. A banda venceu no VMB de 2009 da MTV Brasil e no Prêmio Multishow, ambas na categoria de:Banda revelação. Sua música, “Garota Radical” entrou na parada da revista Billboard Brasil, no Brasil Hot 100 Airplay na posição 40º, além de ser a trilha sonora oficial da novela da Rede Record,”Bela, A Feia”.

O videoclipe de “Garota Radical” já alcançou mais de 5 milhões de visualizações no Youtube. O conjunto musical lançou apenas um CD além de ser o primeiro álbum de estúdio da banda, nomeado de “Flashback”. A página oficial da Banda no Myspace, foi o mais acessado em 2009.”

Quando acabei de ler essa singela, porém poderosa biografia, fiquei pensando o quanto estou desligado do mundo, ou pelo menos das bandas que estão fazendo sucesso. Ter uma banda premiada com apenas 2 anos de existência é algo muito incomum (ou pelo menos era na minha época). Para entender o porquê de todo esse falatório,fiz uma maratona de clips e músicas, baixei o álbum e vi todos os vídeos que tem no youtube sobre os caras. Foi ai que meu queixo caiu.

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Cadê a seriedade? KDÊ?!?!?!

Bom… Quem já viu um clipe desses moleques sabe do que estou falando. Eles são simplesmente ruins. E não, não estou abusando do gosto musical dos outros. Todos os dias aplico a máxima de que “gosto é igual a bunda e cada um lava a sua como quiser”, mas dessa vez a parada foi tão forte que me ofendeu. Perdi meu tempo vendo clipes, baixando o álbum e vendo vídeos na esperança de achar uma única perola como já aconteceu com o Sugar Kane e o Nxzero, que até tem músicas maneiras.

Nunca condenaria uma banda (só as de glan rock) sem antes ouvir uma boa parte do trabalho, mas eu poderia ter parado na quinta música do álbum Flashback e continuar vivendo uma existência baseada na ignorância de coisa tão ruim. Tem coisas que você não precisa ter a noção da existência. Para não parecer maldade, vou explicar o que achei tão ruim no trabalho deles separando por área justamente para não dizer que esqueci de algo.

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Juro que não quero colocar legenda nessa foto, mas porra... que cara é essa?

Vamos começar pela sonoridade, e já dou um start dizendo “que porra é essa?” Misturar sintetizador com guitarra? Em que ano estamos? Revival de que década mesmo? Não acho errado inovar, porque é disso que precisamos. Porém existe um senso que mede o poder do seu interesse pela coisa. Grandes bandas começaram pequenas e foram crescendo, só que aquela coisa que escutei era um engodo feito apenas para beirar a parte mais ridícula dos anos 80 (musicalmente falando) que é a inserção de elementos eletrônicos pelo sentido de novidade. Ou seja, o sintetizador está totalmente destoante do resto da composição.

És que me deparo com um comentário num dos vídeos (se não me engano num clipe) e leio essa pérola: “Olhe meus queridos amigos dos anos 90, isso ai é o século 21, daqui pra frente a música só vai ser isso… daqui 20~30 anos, nem imagino como esse negocio vai evoluir… Tenho medo do futuro.” PORRA! Esse cara está totalmente certo.

Quem chegou com uns 7 anos nos anos 90 e viveu sua adolescência dentro da década cinza, tem um completo asco por qualquer coisa que cheire a anos 80, pelo simples fato de que 90 foi a década da sobriedade misturada a momentos de loucura, tipo Mc Hammer. Um equilíbrio que para muitas pessoas foi falta de imaginação e para algumas outras foi a mesma coisa que usar café em grão nas lojas de perfume.

Mas não vamos nos perder. A sonoridade é péssima, já sabemos. Agora que tal avaliar outro elemento importante: letra ou poesia. Só que para tal desatino, tenho que disponibilizar para você, leitor que chegou até aqui nesse post, um belo exemplo de letra das músicas do cine. Fique agora com “Garota Radical”.

Who o ow
Who o o o ow
Who o oaaaa
Ye ye yeah

O simples torna ela demais
Quinta o shopping, domingo os pais
Tente entender por que ainda ligo pra você
Ela só me diz não, pra mim já tornou padrão e faz por querer

Te vejo na minha (Te vejo na minha)
Vai ser só minha (Vai ser só minha)
Falo tão sério, é sério você vai
Vai ser só minha (Vai ser só minha)
Vem ser só minha
Vai ser você
Aposto um beijo que você me quer

Who o ow
Who o o o ow
Who o oaaaa
Eu te completo baby
Who o ow
Who o o o ow
Who o oaaaa
Vem que é certo baby

Sempre escuta as bandas que eu nunca ouvi
Sempre de vestido pra sair
E quando ela sai, não importa pra onde vai
Sempre com o cartão do pai, compra tudo e se distrai

Refrão

Te ver no sábado e escutar tudo que eu já sei, pode decorar
Não é fácil, eu não me faço
Egoísta, sim, eu não nego
Por isso insisto em ti e me entrego mais, mais, mais
Who o ow
Who o o o ow
Who o oaaaa
Vai ser você
Aposto um beijo que você me quer

O simples torna ela demais
Quinta o shopping, domingo os pais
Paguei pra ver por que é que eu liguei pra você?

Desculpa por expor todos a isso, mas foi preciso. A poesia de uma música é o que vem em primeiro lugar para mim. Nem sempre ela vai estar na letra, pode ser o conjunto completo de música e letra, mas se a letra é tão “idiotinha” acaba estragando o resto. Eu mesmo curto bandas de letras simplistas como No Doubt e Red Hot Chili Peppers, porém nesse caso é visível que letra e música se completam e dão ao ouvinte uma boa experiência. Prefiro nem me ater muito a esse assunto porque ele é obvio de mais e se você estiver a fim de comprovar o que digo, procure por uma música do Cine chamada Dance e Não se Canse. Só essa já será suficiente para destruir os sonhos de qualquer paciente terminal.

Para não me alongar mais ainda, vou cair para o ultimo item de avaliação que, apesar de não ser tão importante para a música, é totalmente relevante para a aceitação do publico, o famigerado “Visual”. E sou obrigado a fazer todo mundo voltar na questão das décadas. Me explica que roupas são aquelas! Geralmente eu nem noto como o cantor está vestido, só que isso não rola se o cara tá de calça verde limão fosforescente igual a um vagalume. Tentar reviver os anos 80 tem graça se você viveu nele e sabe como foi e por isso tem um certo saudosismo, a coisa toda perde o sentido se você é um moleque de 17 anos de idade telespectador de Pokémon.

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Quem é esse Pokemon?

Talvez essa minha aversão as vestimentas do grupo esteja muito ligado a minha idade mental (que já não é lá grandes coisas) e ao mundo adulto em que vivo. Para mim música não pode ser limitada. Seja um metaleiro de cabelos compridos ou um multi color de calças verdes, você tem que estar num nível que não beire a agressão, porque isso só demonstra infantilidade, vide punks, emos e qualquer coisa que tenha características caricatas apenas para provocar auto afirmação.

Fico triste com bandas como Cine e Rstart, que nem citei por ser puro plágio. Mas acredito na teoria de um amigo que diz “depois de muito merda tem que vir algo bom”. Deu certo com o Metallica e espero que de com o resto do mundo.

Fiquem com o clipe de Garota Radical, porque eu não vou para o tumulo sem antes compartilhar com o mundo meu desgosto.

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    1. Pedro Vitor
      Pedro Vitor disse:

      É revoltante mesmo uma banda assim ter a atenção da midia enquanto musicos de qualidade estão “ganhando esmolas” por esses barzinhos…

    2. Roberta
      Roberta disse:

      Oi Breno, Achei o post interessante. Até porque é crítica e por isso é quase sempre divertido ler.
      Não conheço nenhuma das bandas, e no momento não posso ouvir, mas, se serve de orgulho, não estou com vontade nenhuma de conhecer depois desse post.
      Apesar de eu gostar de bandas dos anos 80 exageradas como Soft Cell para ouvir de vez em quando e the cure, que não é muito marcada mas que é minha banda preferida.
      =)
      De qualquer forma, eu fico feliz por ter uma banda joven que pensa em ter estilo, pelo menos. Já é um pouco melhor do que Forfun ;)

      • Breno C.
        Breno C. Souza disse:

        O problema é que o Forfun cresceu. Eles sempre tiveram a opção de crescer porque estavam presos a um estilo de som mutável. A Cine não vai crescer, não mantendo esse estilo, não com essa estática musical e nem a atitude “somos eternas crianças”.

        Escuta o álbum mais novo do Forfun que você pode ter uma surpresa, mesmo que continue não gostando, vai ouvir o quanto eles mudaram.

        • Roberta
          Roberta disse:

          Hmmm, não estou muito inclinada a fazer isso, mas vou me esforçar!
          Quero mesmo é baixar o do Muse que você falou em outro post ;)
          Apesar de eu só conhecer e gostar de 2 músicas deles, eles parecem bons. Escute “Sing for absolution” e “Supermassive black hole”

          • Olha Roberta, ouvir Muse começando desse álbum mais novo (The Resistence) pode criar falsas impressões sobre você. Esse é o álbum mais diferente da banda. Sugiro que você comece por alguma coletânea, assim vai conhecer as músicas mais rodadas e depois poderá cair em bsides.

            Qualquer coisa me adiciona no msn e trocamos impressões sobre a banda. (meu msn: bentus_mdt@hotmail.com)

        • Roberta
          Roberta disse:

          Well, eu não tenho problemas de gostar apenas de um álbum da banda! =)
          Até porque mesmo quando você conhece a banda, todas as músicas, ama todos os integrantes eles ainda podem lançar um CD e estragar tudo.
          Eu realmente acho melhor avaliar cada banda por CD e esse foi incrivelmente maravilhoso.

    3. Renan
      Renan disse:

      Curti. A gente tem que ter o direito de falar mal mesmo, ainda mais se for uma bagaça dessas.

      Mas não rola um post só metendo pau nos anos 80 não? Eu ia gostar rs

      • Breno C.
        Breno C. Souza disse:

        Cara, eu cheguei a começar uma postagem sobre os anos 80, mas o fato é que preciso de uma pesquisa forte pra não falar merda. Por isso vai ficar para um segundo plano, mas provavelmente sai antes de meus filhos completarem 30 anos.

    4. Arabael
      Arabael disse:

      rsrsrsrsss … ai minha barriga, para uma quinta de manhã já está de bom tamanho…, qual o nome da banda mesmo? Garotos Sem Noção? “Vem que é certo baby..” , “Sempre com o cartão do pai, compra tudo e se distrai…” , a letra então… fenômeno. A MTV deve estar indo a falência e tá aceitando qualquer “cemzão” pra se manter…tststs.

      • Breno C.
        Breno C. Souza disse:

        Na verdade é a MTV que está fazendo isso com a garotada. E esse provavelmente será o novo tema para a futura postagem.

    5. “Perdi meu tempo vendo clipes, baixando o álbum e vendo vídeos na esperança de achar uma única perola como já aconteceu com o Sugar Kane e o Nxzero, que até tem músicas maneiras.”

      Eu realmente tenho que concordar contigo nessa parte. Nx Zero no começo, quando ainda não era tão conhecido, era até legalzinho. Tô falando da época de “Apenas Um Olhar” e “Tarde Demais”, apesar das letras super “cortei os pulsos”. Mas, hoje em dia, aguento nem ouvir aquela voz chorosa, haha.

      Quanto a Cine e Restart, que praticamente são as mesmas porcarias, tive o desprazer de ouvir algumas vezes e realmente posso dizer: “caralho, que porcaria!”. A voz do carinha do Cine cantando “ui, aposto um beijo que você me quer” consegue me irritar de uma forma estúpida. E é, eu também não costumo ligar pro visual de bandas, mas, Cine e Restart me deprimem imensamente nessa parte. Aliás, aquelas calças devem ser bastante desconfortáveis pra quem tem algo entre as pernas, haha.

    6. Janderson Dias
      Janderson Dias disse:

      Cara, eu ri quando ouvi essa “Garota radical” pela primeira vez, mas a situação é triste. Essa deve ser a pior banda que já alcançou sucesso nacional no Brasil.

      • Breno C.
        Breno C. Souza disse:

        Cara, o Restart parece ser ainda pior por ser um plágio do tal do Cine. O que me deixa mais triste é que esse é um movimento em crescimento.

    7. HAHAHAHAHAHAHA ow, adorei Breno!!!
      Dei mta risada, o post tá hilário. Eu sei que é até sacanagem rir da sua tristeza e decepção, mas é por isso que eu falo: sou preconceituosa MESMO, até que alguém [de muita confiança, claro] me prove do contrário!

      Beijo!

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