21/ago/2009

Posted by Roberto Dias in Artes, Cinema & TV, Featured Articles | 11 comments

Anos 80 e seus filmes adolescentes

Anos 80Se agora a moda é adaptar histórias em quadrinhos, nos anos 80 a moda era fazer histórias teens. Os filmes oitentistas sobre adolescentes marcaram gerações, e são sempre assunto para pararmos e relembrarmos dos bons tempos de Sessão da Tarde, quando nossa única preocupação era a ver se tinha achocolatado suficiente na geladeira. E é ainda mais nostálgico para quem teve a sorte de vivenciar tudo isso na época dourada das sessões de cinema em casa.

Aproveitamos para homenagear o criador dos melhores filmes desse tema, que faleceu esse ano, John Hughes. Hughes dirigiu e escreveu filmes que ficaram no coração dos jovens, como Curtindo A Vida Adoidado (diretor), Esqueceram de mim (roteirista) e Beethoven (roteirista). Só por esses parcos títulos já podemos perceber qual foi sua importância para a geração que acompanhou, vidrada, os filmes da década de 80.

Hughes conseguiu transmitir em seus filmes a linguagem dos jovens, os problemas enfrentados por eles, e ainda conseguia inserir nas obras diversas referências à cultura. Com filmes simples e utilizando de muitos clichês (talvez à epoca nem tão clichês assim), lançou grandes nomes como Robert Downey Jr. (que recentemente apareceu em Homem de Ferro), Charlie Sheen (qe intepreta ele mesmo na série Two and a Half Men) e, claro, Mathew Broderick (nosso saudoso Ferris Bueller; acabou se destacando também na Broadway).

Mas não falaremos apenas de filmes relacionados com Hughes, mas também um pouco sobre outras obras cultuadas por sua capacidade de divertir, e não tanto por sua qualidade, como De Volta Para o Futuro, Namorada de Aluguel e Karatê Kid, e demais filmes que não pretendiam ter enredos cheios de significados, mas apenas mostrar a adolescência da época, turmas de amigos, festas, paqueras, aventuras no colégio e, por vezes e vezes, seus problemas e sua rebeldia.


Porky’s — A Casa do Amor e do Riso [1981]

(Porky’s – 1981)

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Cartaz estadunidense de "Porky's — A Casa do Amor e do Riso"

Em 1954, cinco garotos, Pee Wee (Dan Monahan), Billy (Mark Herrier), Tommy (Wyatt Knight) e Mickey (Roger Wilson), estudantes da Angel Beach High School, não querem saber de estudar, só estão realmente preocupados com uma coisa: transar. Assim, o que eles mais fazem é espiar as meninas nos banheiros e atentar os professores, sendo freqüentemente perseguidos por Beulah Balbricker (Nancy Parsons), sua professora de ginástica. Descobrem o Porky’s, um misto de cabaré com bordel onde o dono (Chuck Mitchell) conseguirá uma prostituta por um preço bom. Mas Porky os rouba e querendo se vingar eles procuram a ajuda do xerife Wallace (Állex Carras), que é irmão de Porky, mas não é bem aceito por ser judeu.

Porky’s, diferentemente dos filmes que vieram depois, tinha muitas conotações sexuais e palavrões, tanto que chegou a ser proibido em alguns países. Essa característica vem dos anos 70 pós guerra, quando os filmes costumavam usar esse tipo de linguagem.

Direção e roteiro por Rob Clark. Foi por 22 anos o maior sucesso de bilheteria do Canadá e teve duas continuações Porky’s 2 – O Dia Seguinte (1983) e Porky’s Contra-Ataca (1985). É encarado por muitos como um dos primeiros filmes ao estilo de American Pie.

Karatê Kid [1984]

(The Karate Kid – 1984)

Karatê Kid mostra os problemas vividos por Daniel Larusso (Ralph Machio), que acaba de chegar à cidade com sua mãe, Lucille Larusso.

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Cartaz estadunidense de "Karatê Kid"

Após se envolver com uma garota, Ally Millis, Daniel conquista a raiva do ex-namorado dela, Johnny Lawrence, e depois apanhar e ser salvo por seu vizinho, o senhor Miyagi (interpretado pelo eterno Pat Morita), pede para que esse o ensine aulas de karatê para que pudesse defender. Miyagi, além de lhe ensinar karatê, passa a Daniel também grandes valores como autoconfiança, coragem e persistência. A dedicação de Larusso o transforma de um garoto fraco em um ótimo lutador bom e justo. Com uma história simples, o filme é emocionante. Na luta final, o “golpe da garça” ficou imortalizado, já tendo sido imitados por várias pessoas ao redor do mundo.

Dirigido por John G. Avildsen, diretor de Rocky, Karatê Kid é um dos filmes mais memoráveis que já trataram das Artes Marciais, tendo mais duas continuações com o mesmo ator e uma quarta com a ganhadora do Oscar, Hilary Swank.

Em 2009 começou a ser rodado o remake de Karatê Kid. A nova versão se chamará Kung Fu Kid e terá a participação de Jackie Chan e Jaden Smith, filho do ator Will Smith.

Gatinhas e Gatões [1984]

(Sixteen Candles – 1984)

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Cartaz estadunidense de "Gatinhas e Gatões"

Comédia divertida que foca nas desilusões de Samantha Baker, uma adolescente de 16 anos interpretada por Molly Ringwald, que acabou se consagrando uma das atrizes mais populares da década.

Seus pais esquecem seu aniversário devido ao casamento de sua irmã. Seu amor platônico (interpretado por Anthony Michael Hall, o Johnny Smith da série de TV The Dead Zone), ainda não a nota e, para piorar, o menino mais estranho do colégio começa a assediá-la.

Primeiro filme dirigido por John Hughes e primeiro dos três em que Hughes trabalhou com Michael Hall.

O Clube dos Cinco [1985]

(The Breakfeast Club – 1985)

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Cartaz estadunidense de "Clube dos Cinco"

Mais um filme de adolescentes dirigido por John Hughes e do qual muitos ainda lembram com carinho.

Outra obra de Hughes, o enredo de Clube dos Cinco trata de cinco adolescentes de personalidade diferentes que são obrigados a passar o sábado juntos e a escreverem um texto sobre quem são eles. O texto não é completo, mas no decorrer do filme as atitudes dos personagens acabam respondendo a essa pergunta.

Nosso primeiro contato é com a imagem que os personagens querem manter acerca de si mesmo e como os outros efetivamente os vêem. Depois começam a descobrir que não sabem muito sobre si mesmos e muito menos sobre os outros, assim, buscam conhecer mais uns aos outros e começam a dividir seus segredos e temores.

Engraçado, melancólico, emocionante e interessante. Um filme capaz de agradar qualquer pessoa que possua um coração.

De Volta Para o Futuro [1985]

(Back From the Future – 1985)

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Cartaz estadunidense de "De Volta para o Futuro"

1985 foi o ano em que a moda dos longas teen oitentistias pegou de verdade e também ano do lançamento de um dos filme mais relembrados até hoje, que também foi o mais assistido daquele ano nos EUA.

Em De Volta Para o Futuro, Marty McFly (Michael J. Fox), um garoto de 17 rebelde que mora com seus pais e irmão, só se preocupa com sua namorada e com sua banda de garagem. É amigo de um excêntrico cientista, Dr. Emmet Brow (Christopher Lloyd), que constrói uma máquina do tempo usando um DeLorean, o carro esportivo na época, e que hoje é objeto de culto graças ao filme.

Após um incidente, Dr. Brow é baleado e Marty usa a máquina para fugir dos bandidos, voltando no tempo e interferindo no primeiro encontro de seus pais, assim ameaçando seu próprio nascimento. Acaba encontrando também um Dr. Brow trinta anos mais novo, e o convence de que está ali pela máquina que ele inventou. Cabe aos dois tentarem salvar o futuro relacionamento dos pais do garoto.

O filme ainda teve duas continuações De Volta Para o Futuro II e III. Contando com comédia, romance, ação, fantasia, além de uma ótima trilha sonora, é um filme para divertir quem gosta de ficção científica leve e despretensiosa. Produzido por Robert Zemeckis e dirigido por Steven Spielberg, é uma das trilogias mais adoradas pelo público.

A Garota de Rosa Chocking [1986]

(Pretty in Pink – 1986)

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Cartaz estadunidense de "A Garota de Rosa Chocking"

Molly Ringwald, conhecida por atuar em filmes teen, está de volta. E com um clichê bem conhecido, quase um conto de fadas. A história é simples e previsível, mas mesmo assim marcou a adolescência de muitos, principalmente das meninas.

Tudo que Andy, personagem de Molly, mais queria era ter um vestido para ir a um baile e encantar o garoto de quem gostava. Quando finalmente ganha seu vestido e consegue conquistá-lo ainda tem que enfrentar a família do rapaz, que é contra o envolvimento.

Apesar de ser um filme voltado para as adolescentes, tem muitos temas considerados para adultos, como desemprego e alcoolismo.

Molly virou símbolo da juventude americana, saindo na capa da revista Times em 1986 como a garota mais popular da sua geração. Com o sucesso de A garota de Rosa Chocking, se tornou uma mania nacional se vestir como ela.

Hughes não dirigiu esse, mas estava no roteiro. O filme ajudou a emplacar a canção “Don’t you (forget about me)”, do Simple Minds que liderou as paradas no ano.

Curtindo a Vida Adoidado [1986]

(Ferris Bueller`s Day Off – 1986)

Cartaz estadunidense de "Curtindo a Vida Adoidado"

A obra-prima das comédias adolescentes, e também de John Hughes, e, para falar a verdade, um dos principais culpados por este artigo.

Ferris Bueller é o aluno mais popular do colégio, não por ser rico nem nada costumeiro de se ver, mas apenas por ser simpático e falar com todos. No último dia de aula do semestre ele decide faltar, enganando seus pais com uma falsa virose, mas não sua irmã, que já está irritada pelos truques do irmão sempre funcionarem, e o diretor de seu colégio, que também não tolera suas armações.

Ferris convoca seu melhor amigo, Cameron, e sua namorada, Sloane, para uma grande farra pela cidade, incluindo a memorável cena em que, em uma parada alemã, Ferris faz todos dançarem ao som de Twist And Shout, dos Beatles.

O filme ainda tem a participação de Charlie Sheen, que faz o papel de um drogado, e, para o papel, ficou acordado mais de 48 horas para realmente se parecer com um.

Além de Twist And Shoult, o filme conta com uma trilha sonora new wave envolvente que confere ainda mais emoção. Cultuado por fãs de toda a parte, Curtindo a Vida Adoidado tem até mesmo um evento em Nova York, onde admiradores saem as ruas para reproduzir cenas do longa e cantar e dançar ao som de Twist And Shoult.

Namorada de Aluguel [1987]

Cartaz estadunidense de "Namorada de Aluguel"

Cartaz estadunidense de "Namorada de Aluguel"

(Can’t Buy Me Love – 1987)

Ronald Miller (Patrick Dempsey) é um típico nerd, que sempre sonhou em ser popular. Quando vê que a líder de torcida Amanda Paterson (Cindy Mancini), vizinha para qual trabalha, precisa de mil dólares emprestados ele prontamente a ajuda, com a condição de que ela deveria fingir ser sua namorada e transformá-lo em alguém popular. Ronald, por “namorar” a menina mais popular do colégio, acaba realizando seu sonho e se tornando um dos mais populares também. Mas acaba cometendo grandes erros, como trocando seus amigos leais pelos novos e mais populares e esquece-se que o dinheiro consegue comprar a popularidade, mas não o amor. Após se dar mal e receber muitas lições, Ronald volta à sua vida normal, e, agora envergonhado, só quer ter uma segunda chance com Cindy.

Can’t Buy Me Love, o nome original do filme, é o mesmo de uma música dos Beatles e que faz parte da trilha sonora do filme. Patrick recebeu o prêmio de Melhor Ator Jovem de Cinema – Comédia por sua atuação.

Sem Licença Para Dirigir [1988]

(License to Drive – 1988)

License to Drive

Cartaz estadunidense de "Sem Licença para Dirigir"

Quando se é adolescente, a carteira de motorista é um símbolo de poder. Já começamos a nos considerar adultos e passamos a pensar que encontramos o “caminho para o coração das meninas.

É isso que Les Anderson (Corey Haim) imagina. Les só quer a carta para poder impressionar e levar a sua namorada para passear, mas, com a pressão que seus amigos e pais fazem, ele acaba não conseguindo passar no exame.

Resolve então não admitir o fracasso e diz a todos que conseguiu passar nos exames. Assim, pega o carro de seu avô e sai para festejar com seus amigo. Só que, como em qualquer boa história oitentista, praticamente tudo dá errado.

Destaque para Corey Haim em seu auge como galã e, já velho conhecido dos espectadores da Sessão da Tarde por sua participação em Garotos Perdidos. Destaque também para a trilha sonora pop, contando com a canção “Get Outta My Dreams, Get Into My Car”, de Billy Ocean, um dos grandes sucessos do ano.

Edward Mãos de Tesoura [1990]

(Edward Scissorhands – 1990)

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Cartaz estadunidense de "Edward Mãos-de-Tesoura"

“Um fruto de uma mente estranhamente bonita, na qual o belo não quer significar nada com o exterior, mas sim tudo aquilo que guardamos conosco ao terminar de assistir.” Sucesso no Brasil, o personagem marcou muitas pessoas, tanto adultos quanto crianças.

Peg (Dianne West) é uma vendedora da Avon em uma cidade totalmente padronizada, de pessoas que vivem seu dia-a-dia na monotonia, por já conhecer toda a vizinhança, Peg resolve ir a lugares que ela não conhece para tentar vender seus produtos, visitando uma antiga mansão abandonada e assustadora no alto de uma colina. Lá ela conhece Edward (Johnny Depp), um doce rapaz que não seria bem um homem, mas sim uma criação, que tem em suas mãos tesouras em vez de dedos. Edward vive sozinho desde que seu criador faleceu. Peg tem a idéia de levá-lo para morar com ela, inserindo-o em uma sociedade que não compreende suas obras (ele fazia, digamos… jardinagem) e sua pureza.

Segundo o diretor, Tim Burton, a idéia das tesouras é representar a criança que não deve encostar em nada sob o risco de se machucar ou quebrar algum objeto, e que por isso é afastada do mundo dos adultos. Uma crítica clara à hipocrisia e ao convencionalismo da sociedade americana, Edward Mãos de Tesoura é o primeiro dos seis filmes que Depp fez com Burton.

A atuação de Johnny Depp é incrível. Dizendo apenas 169 palavras durante o filme ele mostra que já era um ator completo aos 27 anos. Após o filme, Depp se tornou astro cult.


Grandes nomes, grandes clássicos, filmes que nos fazem lembrar com carinho de nossa infância e adolescência. E reconhecer que, graças a pessoas como, John Hughes nossa infância foi muito mais feliz.

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    1. Bons tempos em que a Sessão da Tarde ainda não passava filmes de macacos skatistas e cães jogadores de futebol. Enfim, não sou dessa época, mas peguei muitas dessas reprises nos anos 90 quando a vida ainda era simples e divertida como esse filmes.

      Parabéns pela estréia, ótimo artigo Ben.

    2. Wellington
      Wellington disse:

      Errata!
      Anthony Michael Hall não é o Dexter! Este chama-se Michal C. Hall!
      Excelente post.
      W.

      • Obrigado por apontar o erro. Anthony Michael Hall faz The Dead Zone, como você disse, seu quase xará, Michael C. Hall, é que interpreta Dexter.

        Já corrigimos no artigo.

    3. Alexandre Mariano
      Alexandre Mariano disse:

      Já assisti a todos esses, bons tempos.

    4. Outro dia vi um ótimo no telecine cult, se chama curso de verão, uns adolescentes pegam recuperação e vão estudar nas férias. A cena clássica é quando o professor não aguenta mais e arranjam uma substituta. Aí ela entra na sala de aula e os alunos estão todos esquartejados, com as tripas de fora, tudo fake, só pra assustar a mulher! muito loko, bem anos 80!

    5. RaphaHell
      RaphaHell disse:

      Faltou Top Secret.

    6. Alexander
      Alexander disse:

      Faltou também “Um morto muito louco”
      Classico!!!

    7. Que pena que as coisas boas passam, mas…

    8. ROBSON SANTOS
      ROBSON SANTOS disse:

      Muito bom o texto, mas faltou alguns…tipo: OS GONNIES, UM TIRA DA PESADA, AVENTUREIROS NO BAIRRO PROIBIDO…TDS MUITO BONS.

    9. Marcos
      Marcos disse:

      Cara que post legal! Assiti a todos! Era criança nessa época hehehe… Assitir filmes a tarde (pq a noite na época os pais não liberavam) era muito melhor que hj… Concordo que falta algns filmes (Um morto muito louco e Os Gonnies certamente!) mas o post foi muito bom!

    10. juli
      juli disse:

      Tenho saudades da intensidade e ao mesmo tempo da simplicidade dos sentimentos como amor, amizade, lealdade retratada nestes filme. Assisti a todos e não poderia jamais esquecer de O PRIMEIRO ANO DO RESTO DE NOSSAS VIDAS, SOBRE ONTEM À NOITE, SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS, CONTA COMIGO. Este útimo finaliza dizendo que nunca mais em nossas vidas temos amigos quando temos 12 anos e acrescento quando somos adolescentes.

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